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Observando uma manhã baseada em Reggio Emilia

No momento em que chego na sala de aula as crianças estão em roda, sentadas em cadeiras, fazendo uma brincadeira. Ficam curiosos com minha chegada, então uma das professoras interrompe e pergunta se querem que eu seja apresentada. As crianças se interessam pela minha presença e muitas comentam que conhecem o Brasil.

 

Continuam a brincadeira, que, ela me explica, consiste em que cada um fale, o nome de um time ou seleção de futebol sem repetir o que já foi dito previamente. Logo em seguida uma das professoras anuncia o café da manhã. Algumas lavam as mãos dentro dentro da classe, outras se dirigem para a pia fora da sala.

Enquanto lavam as mãos, as professoras puxam as cadeiras da roda. As crianças vão se acomodando nas mesas de tamanhos e formatos diferentes que comportam de 4 a 6 ocupantes. Alguns ajudam a distribuir copos e as professoras levam água numa jarra e um prato com biscoitos doces e salgados. Uma delas apaga a luz e começa a cantar, logo sendo acompanhada pelo grupo. A convite de uma das meninas, sento-me junto a uma mesa. As meninas fazem alguns comentários e me ofereceram biscoitos.

Uma das professoras faz inserções de palavras e frases em inglês enquanto circula com a jarra de água. Durante todo o tempo as crianças permanecem sentadas e conversando entre si. Quando todas terminam, uma das professora pede para que recolham os copos e joguem na pia o que sobrou da água. Em seguida, cada uma pega sua cadeira e leva para fora, formando uma roda.

Esse espaço fora é um acesso coberto entre o pátio central interno (para o qual dão todas as salas da Educação Infantil, exceto essa) e o pátio que fica atrás do prédio. Apesar de ser um local de passagem, o grupo o ocupa todo.

A professora que fala eventualmente em inglês dirige uma atividade fora da sala enquanto a outra fica dentro preparando a proposta seguinte. Enquanto isso, uma pessoa responsável pela limpeza entra e varre do chão os farelos de biscoito.

A professora conduz uma conversa com as crianças em roda, sentadas nas cadeiras, em espanhol e com algumas palavras e frases em inglês. A conversa é sobre animais e posteriormente frutas, retomando o vocabulário que as crianças já conhecem. Também cantam em inglês três ou quatro canções. Durante uma das músicas, duas crianças se levantam para fazer os gestos e se trombam. A professora verifica como está um dos meninos, que logo se levanta e torna a sentar, e chama para perto de si o outro, que chora. Ela dirige a ele o olhar e com tranquilidade pergunta o que aconteceu. A criança diz que machucou o nariz e a professora pede para que vá à pia ao lado para lavar. Ao voltar, reclama de algo e sai bravo e chorando. Senta num canto. A professora continua ouvindo as crianças (cada uma está falando o nome de uma fruta) enquanto se dirige ao menino que está chorando. Não a ouço, mas ela faz uma fala muito breve, no mesmo tom de voz suave, e o menino volta para a roda.

Durante a proposta, algumas crianças conversam paralelamente e há bastante ruído vindo de outras partes de escola. A professora não faz intervenções nesse sentido.

A professora que estava dentro sai e conta sobre a proposta que preparou. Ela chama todas para que a ouçam (pede para que sentem aqueles que se levantam). Diz que vão brincar com luz. Um dos focos de luz é imóvel e o outros, se manusearem com cuidado, podem ser movidos. Podem brincar como quiserem, mas lembra que não podem correr porque há o risco de se machucarem. Também lembra que não podem tocar no computador.

As persianas da sala estão fechadas, de modo que a sala está pouco iluminada, mas longe de estar completamente escura. Há um projetor sobre um cubo de madeira e, entre ele e o anteparo, foi deixado o cubo de madeira e sobre ele o dinossauro e cascas de árvores. Foram cuidadosamente dispostos. A sala foi dividida em dois ambientes com um biombo. Espontaneamente meninos e meninos se dispõem em lados diferentes da sala.

Só com o dinossauro se pode fazer sombra? – uma das professoras pergunta para os meninos que estão com esse brinquedo na mão.

Dois meninos começam a discutir pela posse do dinossauro e quando estão prestes se confrontarem fisicamente a professora vê os dois e interdita a ação falando bem alto: “No!”. A dupla para e volta a brincar. O grupo de meninos experimenta colocar os objetos perto e longe do foco de luz e investigam o que acontece com as sombras quando juntam os brinquedos. A professora pergunta se eles conseguem ficar de um jeito que todos tenham sua sombra refletida na mesma parede. Em seguida eles fazem uma montagem coletiva com os brinquedos.

As meninas, do outro lado da sala, pegam brinquedos como bolsas, lenços coloridos e frutas de plástico. Elas estão menos envolvidas com a brincadeira de luz do que com os objetos e movimentos do corpo.

Cada professora fica em um lado da sala e ambas filmam trechos com seus celulares.

Passados aproximadamente 10 minutos, uma das professoras diz que é hora de brincarem no pátio e informa que quem quiser pode ir com a outra professora e quem preferir pode ficar com ela na sala. Ficam apenas 4 crianças. As demais saem e deixam os objetos no chão e sobre os móveis. Enquanto os que continuaram ali continuam brincando, ela guarda os brinquedos e organiza os móveis.

As duas meninas continuam brincando com os objetos e um tempo depois a professora as convida para verem o que acontece com a luz. Uma delas fica observando o que acontece quando muda o interruptor e se surpreende toda a vez em que a luz de acende.

Saem os meninos e ficam apenas as duas meninas.

Vengan todos! vengan a comprar! Quien quiere comprar unas cosas? – uma das meninas retoma uma brincadeira que estava fazendo antes. A menina fala sentada em frente a uma mesa sobre a qual dispôs frutas de plástico. Enquanto continua organizando a classe, a professora interage com as meninas, participando da brincadeira. Em certo momento, entrega duas frutas para elas e diz que podem vender essas também.

A professora sai rapidamente da sala para buscar algo e na volta diz que precisam guardar os brinquedos, oferecendo-se para ajudar.

Nesse momento observa-se que o refeitório está sendo preparado para a refeição e algumas crianças começam a voltar para a sala. O relógio marca meio-dia e saio para almoçar.

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